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18 de fev. de 2012

Os elefantes

Os elefantes


Os elefantes são mamíferos que pertencem à ordem Proboscidea. Os integrantes desta ordem são caracterizados por possuir grande tamanho e uma tromba desenvolvida. Atualmente há dois gêneros de proboscídeos: o elefante africano (A) e o elefante asiático (B), com poucas espécies. 


Mas no passado a ordem foi muito mais diversa, há no registro fóssil o reconhecimento de mais de 170 espécies, entre eles o Deinotério (A), Mamute (B) e o Mastodonte (C).



A função da tromba

A tromba é uma das características marcantes dos elefantes. É um órgão musculoso formado pela fusão dos lábios superiores e o nariz. Sendo um nariz modificado possui certamente função olfatória. Mas seus fortes e precisos músculos transformam a tromba em uma espécie de “mão” com a qual os elefantes pegam alimento e levam a boca. A tromba também serve para aspirar água. A tromba é um órgão táctil e também serve as carícias aos filhotes e a golpes de defesa.


 A função das grandes orelhas

Os elefantes são animais de grande tamanho que possuem uma superfície muito grande exposta ao sol o que leva seu corpo a um grande aquecimento. As grandes e finas orelhas dos elefantes funcionam como um dispersor de calor, uma espécie de radiador. São intensamente vascularizadas perdendo calor da circulação para o ambiente. Os elefantes africanos que vivem na áfrica sob clima muito mais quente que o elefante asiático, possuem orelhas maiores.

Importância ecológica

Os elefantes são herbívoros que comem grandes quantidades de vegetais diariamente. Durante suas jornadas a procura de alimento produz trilhas no ambiente que facilitam a locomoção de outras espécies, abrem clareiras na vegetação, permitindo a renovação da vegetação e pelas suas fezes dispensam sementes dos vegetais que consomem.

10 de fev. de 2012

Os Marsupiais

Os Marsupiais

Os mamíferos marsupiais envolvem cerca de 250 espécies distribuídas no continente Americano e principalmente na Austrália. São exemplos de marsupiais os gambás, diabos - da tasmânia, os cangurus, os coalas, entre outros.

Figura: Exemplos de marsupiais

Os marsupiais são mamíferos primitivos (Methateria) que não possuem uma placenta verdadeira, mas sim um rudimento chamado placenta vitelina que apesar de sustentar o embrião no inicio do desenvolvimento não consegue fazê-lo até o final da gestação. Ao nascer o filhote prematuro é abrigado em uma bolsa cutânea ventral, o marsúpio, para ser protegido e alimentado pelos mamilos que secretam leite.  
Figura: No esquema é mostrado a localização do marsúpio em um canguru. Foto de um canguru recem nascido (prematuro).

Na América os marsupiais predominantes são os gambás e cuícas, mamíferos primitivos de pequeno tamanho típicos de regiões tropicais florestais. São animais noturnos, predominantemente insetívoros. São evitados por seus predadores devido ao desagradável odor que exalam, especialmente em momentos de estresse por glândulas anais. Para se proteger dos predadores muitos gambás simulam a morte. São muito férteis, a gestação é curta para os padrões de mamíferos (três semanas), geram muitos filhotes, até 18 em alguns casos. Ao nascerem os filhotes prematuros são carregados do marsúpio. Quando crescem são carregados em suas costas.

Figura: Gambá simulando a morte.

Sugestão de vídeo: O nascimento de um canguru.


7 de fev. de 2012

Os Morcegos



Os morcegos são mamíferos da ordem dos quirópteros (Chiroptera, do termo grego cujo significado significa “mãos aladas”). Compreendem uma ordem bastante diversa, que agrupa mais de 400 espécies.

Figura: Exemplos da diversidade de morcegos
Click na figura para ampliar

São os únicos mamíferos verdadeiramente voadores. Os morcegos e as aves são os únicos vertebrados que conseguem voar graças a uma adaptação em comum, os membros anteriores transformados em asas. Este aspecto corresponde a um caso de convergência adaptativa, um processo que seres de classes taxonômicas distintas possui característcas semelhantes.

Outra característcas típica dos morcegos é a ecolocalização, a capacidade de orientar-se e reconhecer os objetos mediante um mecanismo acústico, uma espécie de sonar.

Como os morcegos evoluíram?

Os aspectos evolutivos dos morcegos são imprecisos no registro fóssil. Mas provavelmente, entre os mamíferos atuais os mais semelhantes aos ancestrais dos morcegos são os mamíferos insetívoros.
Como os morcegos, alguns mamíferos da ordem insetívora são pequenos, arborícolas, noturnos, com capacidade visual reduzida compensada pela ecolocalização. Talvez estes insetívoros possuíssem patas palmadas, o que permitiam que eles realizassem curtos saltos com queda controlada.
Figura: Representação de uma mamífero da ordem dos insetívoros com características dos ancestrais dos morcegos: hábitos noturnos, pequenos, olhos reduzidos, atividade ecolocalizadora capaz de localizar insetos em uma noite escura  

A força evolutiva que pode ter selecionado a capacidade de vôo dos morcegos ancestrais pode ter sido uma adaptação dos insetos a predação das aves. A principio os insetos tinham hábitos diurnos, mas com o surgimento das aves, predadores visuais por excelência, os insetos capazes de realizar suas atividades no período noturno passaram a ter uma vantagem adaptativa. Os mamíferos insetívoros com capacidade de ecolocalização ocuparam este nicho ecológico vago, a capacidade de capturar insetos noturnos, reduzindo a competição com as aves diurnas.
Figura: Estágios da evolução das asas dos morcegos a partir de um mamífero da ordem dos insetívoros.

As adaptações aerodinâmicas ao vôo parecem ter sido a seleção de corpos leves, redução de tamanho das patas posteriores e patas anteriores amplas com uma membrana entre os dedos para providenciar uma grande superfície de contato com o ar.

As asas dos morcegos são semelhante a das aves?

Aves e morcegos são vertebrados que possuem asas capazes de sustentar vôo coordenado. Mas as asas dos morcegos são muito distintas das aves. As asas do morcego são patas anteriores grandes em relação ao tamanho do corpo, especialmente pelo grande tamanho de algumas falanges (ossos dos dedos). Entre o pescoço e a cauda, sustentada pelas grandes falanges, há uma membrana fina que oferece ampla superfície de contato com o ar, chamada petágio. A membrana das asas é muito sensível a informações de pressão do ar, pois possuem muitas terminações nervosas e órgãos de irradiação de calor pela intensa vascularização que possuem.

Figura: Morcego exibindo suas asas. Note que as asas são formadas por uma fina membrana que se estende da região do pescoço até a cauda, sustentada principalmente por dois longos dedos das patas anteriores. 

Todos os morcegos são sugadores de sangue?

Muitas pessoas relacionam morcegos com vampiros, animais que se alimentam de sangue. Embora realmente algumas espécies sejam hematófagas (consumidoras de sangue), a grande maioria das espécies apresenta outros hábitos alimentares: insetívoros, frugívoros, polinívoros e carnívoros.

Figura: Morcego hematófago sugando o mamilo de uma porca.

Figura: Morcego insetívoro capturando inseto.

Figura: Morcego frugívoro se alimentando de uma banana.

Figura - Morcego polinívoro com língua extensível, uma adaptação ao hábito alimentar. 

Figura: Morcego carnívoro alimentando-se de uma pequena rã.


Como os morcegos se orientam na escuridão?

Os morcegos emitem durante o vôo, pela boca e pelo nariz, sons ultra-sônicos inaudíveis aos humanos. Estes sons ao baterem sobre superfícies imóveis e móveis retornam a ampla orelha dos morcegos. A detecção deste eco permite aos morcegos o vôo coordenado de uma reunião de morcegos, detectarem movimento de objetos, sua forma e dimensão.

Figura: Esquema da ecolocalização dos morcegos.

Figura: As grandes orelhas dos morcegos são uma adaptação a captação de ecos de sons por eles emitidos.

Por que morcegos vivem em cavernas?

Muitos morcegos vivem em cavernas, especialmente durante o dia para se refugiarem da predação de aves de rapina, como falcões e gaviões. Alguns vivem em penhascos, em espaços entre rochas e em galhos de florestas densas. Os morcegos podem se adaptar a presença humana, se refugiando durante o dia em telhados, celeiros, túneis, debaixo de pontes e pontos protegidos de muros.

Por que os morcegos dormem pendurados e enrolados nas asas?


Dormir pendurado é importante para os morcegos pois eles se colocam em uma posição elevada o que permite o voo, visto que eles não possuem asas potentes que permite faze-lo diretamente a partir do solo. Quando um morcego está no solo, ele tem que escalar as pedras ou o tronco de árvores para se posicionarem em um altitude favorável ao início do voo. O solo de uma caverna pode abrigar muitos predadores, se posicionar no teto é uma maneira de evitá-los. O solo de uma caverna é uma região muito fria e úmida, pela ausência de incidência dos raios solares e enxurrada da chuva, o que dificulta a manutenção do calor corporal dos morcegos. Se pendurar no teto da caverna e em suas paredes afasta os morcegos do solo frio diminuindo a perda de calor para o meio. A fim de auxiliar na manutenção do calor, os morcegos exibem outro comportamento curioso, se enrolam completamente com suas asas durante o repouso. 

Figura: Morcego fixado no teto de uma caverna durante o dia enrolado em suas asas para manter o corpo aquecido. 

Sugestão de vídeo: 

Como funcionam os morcegos (parte 1 de 2)

Como funcionam os morcegos (parte 2 de 2)


Para citar esta postagem:

Faqbio: Apoio ao estudo de biologia - "Os morcegos " - http://faqbio.blogspot.com/2012/02/os-morcegos-os-morcegos-sao-mamiferos.html



26 de out. de 2011

Evolução das baleias a partir de mamíferos terrestres! Como se construiu esta teoria?

Durante muito tempo as baleias e golfinhos foram considerados um grupo de peixe, devido à forma do corpo pisciforme (forma de peixe). Mas conforme o conhecimento sobre estes animais aumentou ficou claro que eles deviam ser enquadrados em outro grupo, os mamíferos, pois eram homeotérmicos, possuía respiração aérea pulmonar, coração tetracavitário e amamentavam seus filhotes. Mas as baleias são em muitos aspectos, distintos da maioria dos mamíferos. Possuem habitat aquático, possui locomoção adaptada a água, cavidade nasal e narinas localizadas na frente do crânio. Qual seria o grupo de mamíferos ancestral das baleias.

Comparações moleculares de proteínas dos cetáceos (baleias e golfinhos) com outras ordens de mamíferos mostraram que entre as atuais ordens de mamíferos a com maior similaridade molecular seria a ordem artiodáctila, um grupo representado pelas vacas, porcos, rinoceronte e hipopótamos.
 
Figura: Exemplos de Artiodáctilos

Comparações de trechos específicos do DNA mostraram que entre os mamíferos viventes o que apresenta maiores semelhanças com o DNA cetáceo é o hipopótamo.
 
Figura: Hipopótamo.

Estes resultados foram interpretados de diferentes maneiras, alguns estudiosos teorizaram que a ordem cetácea evolui da ordem artiodáctila (teoria artiodáctila) e outros especialistas acreditam que a ordem cetácea tenha evoluído de outra ordem próxima evolutivamente dos artiodáctilos.

A compreensão deste processo começou a ser esclarecidas a partir de estudos de fósseis realizados no Ásia (Paquistão) em 1978. Na ocasião foram descobertas rochas datadas em cerca de 50 milhões de anos com um crânio fóssil que após análise mostrou-se ser de um mamífero terrestre, carnívoro, que vivia as margens de rios. Este animal foi chamado de Paquicetos. A análise detalhada do crânio do Paquicetos visando relacioná-lo evolutivamente com outros grupos de mamíferos atuais mostraram uma semelhança instigante de alguns ossos da região do ouvido com os ossos do ouvido de baleias e golfinhos. Esta semelhança foi interpretada com uma forte evidência científica da evolução dos cetáceos (baleias e golfinhos) a partir de mamíferos terrestres. Baseado em estudos paleontológicos sabe-se que o Paquicetos viveu em uma época conturbada na região. Correspondeu a um período de aquecimento da Terra, com derretimento das calotas polares e aumento do nível do mar o que diminui a área terrestre e aumentou a marinha no planeta. Nestas condições muitas espécies terrestres devem ter se extinguido e outras se adaptado a nova condição. Especula-se que talvez, o Paquicetos tenha nesta época começado a explorar o meio aquático de forma esporádica, à procura de alimento, se locomovendo através de um nado desajeitado tipo “cachorrinho”.
 

Figuras: Reconstituição do Paquicetos.

Em 1983 foi descoberto fósseis no Egito, em sedimentos marinhos datados em cerca de 35 milhões de anos. Estes fósseis eram semelhantes a baleias, medindo cerca de 18 metros de comprimento, possuíam dentes e uma característcas peculiar, patas atrofiadas e relação ao tamanho do animal. Esta foi à primeira evidência incontestável que baleias primitivas possuíam quatro patas. Estes fósseis foram denominados como Basilossauro. A análise funcional das batas do Basilossauro mostrou que dificilmente elas seriam capazes de auxiliar na locomoção terrestre, mas sim deviam auxiliar no direcionamento da natação.           

 

Figuras: Reconstituição do Basilossauros.

Em 1992 a descoberta no Paquistão de um fóssil em sedimentos marinhos de 48 milhões de anos colaborou para a teoria da evolução das baleias a partir de mamíferos terrestres. Foi descoberto um fóssil completo de um animal semelhante a baleias, mas com grandes patas e articulações móveis que sugeriram capacidade de sustentar a locomoção terrestre. Este animal foi chamado de Ambulocetos natans (baleia que anda e nada). Ele deveria passar a maior parte do tempo na água, mas talvez algumas atividades como a copulação fosse feita em meio terrestre.

 

Figuras: Reconstituição do Ambulocetos natans

Depois de 1992 várias outras descobertas fósseis foram feitas colaborando com a teoria da origem terrestre das baleias. Inclusive uma bastante interessante. Um fóssil denominado  Rodocetos, coletado no Paquistão em sedimentos marinhos, apresentava os quatro membros membro bem conservados. A análise das patas mostrou semelhanças significativas da articulação dos tornozelos do Rodocetos com a articulação do tornozelo dos Artiodáctilos, como o hipopótamo, contribuindo para a teoria da origem artiodáctila da baleias. 

Figura: árvore filogenética das baleias.