15 de dez. de 2011

Como funciona o vício, a tolerância e a dependência as drogas?



Para quem tem curiosidade de experimentar a sensação de consumo de drogas, vou dar uma dica: não é preciso se envolver com uma coisa tão perigosa e ilegal. É só comer o seu prato preferido e beijar muito aquela pessoa que se tem paixão. As sensações de euforia e o prazer sentidos são muito semelhantes, embora menos intensos. Você pode achar isto um exagero! Mas não é! Estudos mostram que o consumo de drogas, a degustação de alimentos e a visão de uma pessoa que se tem paixão ativam áreas do cérebro envolvidas com um sistema de recompensa que estimula que a experiência prazerosa seja repetida sempre que possível. Por isto, não resistimos ao alimento e aos lábios da paixão. Comer e beijar é só começar! O ditado não é bem este! Mas não é uma mentira.

O mecanismo de Recompensa
 
Figura: Sistema líbico. VTA ou ATV é área tegmental ventral; Núcleo acúbens ou NA.

Várias partes do encéfalo estão envolvidas no mecanismo de recompensa, em especial o sistema límbico dopaminérgico, particularmente a área tegumental ventral (ATV), que se comunica com o núcleo acúbens (NA) inundando-o com o neurotransmissor dopamina em situações de prazer. A liberação de dopamina índica que a atividade é recompensadora e deverá ser repetida. É um mecanismo muito útil que estimula as pessoas a não recusar o alimento sempre que ele esteja disponível e que estimula as pessoas a se aproximarem para a relação sexual, garantindo a perpetuação da espécie, mas que também acaba conduzindo as pessoas ao vício.

Por que as drogas oferecem prazer intenso?

Para entender o efeito prazeroso das drogas é necessário ter uma idéia de como funciona o mecanismo de recompensa do sistema límbico dopaminérgico. Vários estímulos ativam a ATV. Neurônios da ATV fazem sinapses (comunicação) com neurônios do NA liberando dopamina no espaço entre os neurônios (fenda sináptica). A dopamina liberada pelos neurônios do ATV se liga em receptores da membrana dos neurônios do NA estimulando-os. Normalmente a quantidade de dopamina liberada é reduzida, é rapidamente ela é retirada da fenda sináptica, sendo devolvida aos neurônios da ATV para ser posteriormente reutilizada. O que as drogas fazem é estimular a liberação de quantidades muito maiores de dopamina ou dificultar a sua retirada da fenda sináptica, acentuado e prolongando a sensação de prazer.

Como surge a tolerância e a dependência?

O mecanismo de recompensa tem o objetivo que certas atividades sejam sempre repetidas. Mas com a repetição constante da ação o organismo desenvolve tolerância e dependência, ou seja, necessita de doses cada vez maiores e freqüentes da droga. A ação da dopamina nos neurônios do NA é a chave deste processo.

Quando a dopamina se liga aos receptores dos neurônios do NA ela estimula ativação de genes que coordenam a produção de substâncias celulares que dificultam o mecanismo de recompensa, sendo necessárias doses cada vez maiores de drogas. Mais drogas, mais dopamina.

Quando o organismo fica privado da droga (abstinência), a diminuição na liberação de dopamina ativa genes em neurônios do NA que coordenam a produção se substâncias celulares que tornam os neurônios hipersensíveis (dependentes) à dopamina. Estas substâncias são muito estáveis permanecendo semanas nas células, antes de ser destruídas. Mas muitas pessoas, mantém a compulsão ao consumo da droga por meses, anos ou nunca se livram dela. Especula-se que as substâncias que tornam os neurônios hipersensíveis (dependentes) podem provocar modificações permanentes nos neurônios, fortalecendo a comunicação do ATV com o  NA fazendo que o sistema nervoso reaja permanentemente de forma exagerada a estímulos que lembrem a presença da droga.

O uso de drogas é um processo perigoso, pois quando o sistema nervoso se acostuma aos altos níveis de dopamina rapidamente o corpo vicia, precisa de doses cada vez maiores e fica mais difícil se livrar da vontade de consumir a droga. Por isto, definitivamente: drogas, diga não!
 
Se você quer saber mais sobre o assunto drogas leia a matéria: Aprendendo com ratos viciados em drogas .             

13 de dez. de 2011

O esqueleto dos animais é sempre feito de ossos?



 Não! Há três tipos de esqueleto nos animais: os hidrostáticos, os exoesqueletos e os endoesqueletos.

Esqueletos hidrostáticos

Os esqueletos hidrostáticos são constituídos por líquidos Em águas vivas o corpo é sustentado por um líquido gelatinoso localizado na parede do corpo, a mesogléia. Em vermes nematelmintos (lombrigas) e anelídeos (minhocas) cavidades do corpo são preenchidas por um líquido que sustentam a forma dos organismos e auxiliam no transporte de nutrientes pelo corpo e na locomoção.

 
Figura - Em muitos animais a sustentação do forma do corpo é realizada pu um líquido localizado em cavidades no corpo. No caso da lombriga este líquido está na cavidade do pseudoceloma.

Exoesqueletos

Os exoesqueletos, como o próprio nome indica, são esqueletos externos que envolvem o corpo de alguns animais, como os artrópodes e moluscos. Nos molusco o exoesqueleto é uma concha calcária, que cresce juntamente com o corpo dos moluscos, sua principal função é proteção.  Nos artrópodes o exoesqueleto é constituído principalmente por um polissacarídeo, a quitina (exoesqueleto quitinoso). É rígido, não acompanhando o aumento de tamanho dos animais, sendo trocado periodicamente (ecdise oumuda). O exoesqueleto dos artrópodes além de um fator de proteção serve a inversão de músculos que realizam a locomoção  
Figura - A casca dos artrópodes, como os insetos acima, é um exemplo de exoesqueleto.

Endoesqueletos


Os Endoesqueleto são esqueletos internos. São encontrados em animais invertebrados como os equinodermos e em cordados vertebrados, como peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Nos vertebrados o esqueleto pode ser de natureza cartilaginosa, como ocorre nos tubarões e predominantemente óssea como ocorre na maioria dos vertebrados. O osso é um tecido vivo, dinâmico, capaz de cresce, sofre reparos e se modelar durante a vida de um animal. Sustenta a forma do corpo, protege órgãos vitais, serve a inserção de músculos para a locomoção e funcionam como reservas de íons cálcio, fosfato e magnésio.
Figura - Endoesqueleto predominantemente ósseo dos vertebrados



11 de dez. de 2011

Aprendendo com ratos viciados em drogas


 
Há muitos anos são realizados experimentos com drogas envolvendo animais de laboratórios, especialmente ratos, procurando obter uma melhor compreensão de como as drogas interferem no comportamento e fisiologia humana. Muitos podem se questionar, mas o que ratos podem nos dizer sobre a ação das drogas em humanos? Muita coisa, pois ambos são mamíferos, possuem muitas semelhanças fisiológicas, anatômicas, celulares e bioquímicas, compartilhando inúmeros genes que controlam suas atividades de forma muita semelhante. Praticamente todos os remédios desenvolvidos pela moderna indústria farmacêutica são testados quanto a sua eficiência e segurança em ratos de laboratório, para só depois em um estágio avançado da pesquisa, ser testado com segurança em cobaias humanas.

Resposta de ratos a exposição de drogas

Ratos foram colocados em gaiolas divididas em vários cômodos. Um com uma roda de exercícios, ratos gostam muitos de se manter em atividade! Outro possuía uma cama, um monte de palha. Em outro havia um mecanismo mecânico com uma alavanca azul que quando pressionado liberava água. Em outro cômodo havia um mecanismo com alavanca verde que liberava comida. No último cômodo um mecanismo com alavanca vermelha que também liberava comida. 


Nesta situação o rato distribuía bem o seu tempo passeado entre os vários cômodos para fazer exercícios, dormir, saciar a sede e comer. Todos os três mecanismos eram utilizados de forma semelhante. Mas em certo momento do experimento, um dos mecanismos de fornecimento de alimento, o vermelho, foi modificado, em vez de oferecer comida ao rato, passava a oferecer como recompensa uma dose de droga (crack, heroína, cocaína, anfetamina ou diversas outras substâncias). Em poucos dias o rato apresentava uma mudança no comportamento, passando a visitar com mais freqüência o mecanismo de fornecimento de drogas (estavam tornando-se viciado). No princípio uma leve preferência, mas com o tempo, o rato visitava com mais freqüência o cômodo aumentando o consumo da droga (cada vez consumia mais). Depois de algumas semanas ele raramente saia do cômodo (a “cracolândia” da gaiola) reduzindo drasticamente o tempo dedicado a atividades básicas, como, dormir, comer e beber. Em certo momento, depois de claramente estabelecido o vício, dificultou-se o acesso a droga. Para obter uma dose a alavanca tinha que ser pressionada 100 vezes. O rato foi insistente, pressionando de forma frenética a alavanca até conseguir a recompensa química. Posteriormente, o mecanismo foi configurado para oferecer a droga com 200, 500 e mesmo 1000 tentativas. Sempre o rato viciado pressionava a alavanca até conseguir a droga. Neste ponto se drogar era praticamente a única atividade da cobaia, que não comia, não bebia, não fazia exercícios e nem dormia. Quase morta, por desnutrição, desidratação e estresse o mecanismo que fornecia drogas foi retirado. Após algumas semanas sem acesso as drogas, o rato se recuperou bem. Após meses sem ter contato com a droga, o mecanismo de alavanca vermelha, o que oferecia droga, foi reintroduzido vazio na gaiola. Assim que o rato percebeu a alavanca vermelha começou pressionar freneticamente na tentativa de obter a droga, como não conseguiu, foram diminuídas as tentativas. Em um determinado momento foi borrifado um spray com droga na gaiola. Ao sentir no ar a droga imediatamente o rato se dirigiu ao cômodo da alavanca vermelha e fez várias tentativas.
 
Como podemos ver os ratos adquirem o vício em drogas, passam a consumir doses cada vez maiores, alteram seu comportamento, deixando de realizar atividades essenciais a preservação da saúde, procuram ficar sempre perto das drogas e mesmo depois de um longo período de abstinência não perdem a compulsão de procurar as drogas. 


Alguma semelhança com as pessoas? 

9 de dez. de 2011

O que é o estado de choque?

Em seriados médicos é comum a cena de um paciente entrando no setor de emergência de um hospital em estado grave e após uma rápida inspeção médica ser afirmado que o paciente pode morrer, pois está em choque ou em estado choque.

Definindo o estado de choque

O estado de choque é a incapacidade do sistema circulatório de abastecer adequadamente os tecidos corporais com O2 e nutrientes, levando a falência das funções vitais se não for revertida rapidamente.

Tipos de choque e seu tratamento

O estado de choque é classificado em três tipos: o hipovolêmico, o cardiogênico e o vasodilatador.

O choque hipovolêmico


O choque hipovolêmico é decorrente de hemorragia grave causadas por traumas, como os que acontecem em ferimentos à bala, lesões por facas e acidentes automobilísticos e ulcerações. Outra causa do choque hipovolêmico é a perda excessiva dos líquidos corporais, desidratação, causada por intensa transpiração durante exercícios e diarréias. Durante este tipo de choque, é comum um grande aumento da freqüência cardíaca, uma tentativa de bombear o sangue presente no corpo de forma mais rápida para abastecer os tecidos. Várias artérias que irrigam partes não vitais a sobrevivência sofre constrição (se fecham) direcionando o sangue para onde ele é mais necessário a manutenção da vida. Para reverter este tipo de choque é urgente a interrupção da hemorragia, reposição do sangue perdido com uma transfusão e, no caso da desidratação reposição de líquidos com soros intravenosos e orais.

O choque cardiogênico

      
O choque cardiogênico é causado por problemas no funcionamento do coração. Paradas cardíacas que impedem o bombeamento do sangue, defeitos nas válvulas cardíacas que dificultam a circulação normal e bombeamento reduzido de sangue causado por arritmias cardíacas, ou seja, ritmo lento (bradicardia) e acelerado (taquicardia). Durante este tipo de choque ocorre o fechamento de várias artérias que irrigam partes não vitais, direcionando o sangue em direção aos órgãos necessários a sobrevivência. Para reverter este tipo de choque é necessário colocar novamente o coração em funcionamento, através de massagem cardíaca, uso de desfibrilador, no caso de infartos, restabelecer a vascularização sanguínea, utilizar drogas que normalizem o ritmo cardíaco, substituir válvulas defeituosas e em casos mais graves realizar transplantes cardíacos.

O choque vasodilatador
 

O choque vasodilatador tem como causa um relaxamento generalizado das artérias do corpo, provocando uma queda acentuada da pressão sanguínea dificultando a circulação do sangue. O choque vasodilatador se segue ao choque hipovolêmico e cardiogênico, quando demoram a ser revertidos e pode ser causado por sepsemia (sepse), uma grave infecção bacteriana ou fúngica. Durante o choque vasodilatador as artérias de todo corpo ficam relaxadas diminuindo o fluxo de sangue aos órgãos vitais. A reversão do choque vasodilatador é muito difícil, sendo feita com medicamentos que combatam a infecção microbiana, antiflamatórios (corticóides) e com drogas vasoconstrictoras (vasopressina)

Como reconhecer o estado de choque

 Pupila Dilatada

Embora existam vários tipos de choque, de modo geral apresentam os mesmos sinais básicos facilmente identificados: pulso rápido (aumento da freqüência cardíaca) e fraco devida a queda acentuada da pressão sanguínea. Durante o estado de choque o tecido nervoso recebe quantidade insuficiente de oxigênio e glicose, ficando sem energia para funcionar. O colapso do sistema nervoso impede a realização das suas funções, não correndo, por exemplo, uma série de reflexos neurológicos. Um dos reflexos mais fáceis de serem verificados é o reflexo da pupila dos olhos que quando iluminados com um feixe forte de luz deveria imediatamente diminuir o seu diâmetro (miose). No estado de choque elas permanecem muito dilatadas (midríase) mesmo quando estimuladas com um feixe de luz forte.

Muitas vezes o estado de choque pode ser considerado o último evento antes da morte de uma pessoa.               

6 de dez. de 2011

PODCAST FAQBIO #4 - A PESTE DE LONDRES




Este podcast já foi postado no FAQBIO mas como o serviço de hospedagem que eu utilizava saiu do ar estou postando novamente. O podcast comenta a grande peste de Londres e a explicação biológica atual da peste.

4 de dez. de 2011

Como saber o sexo de um esqueleto?


 
A diferença mais marcante presente no esqueleto de um homem e uma mulher são os ossos da pelve. A pelve de uma mulher adulta é adaptada ao parto. A pelve feminina é mais larga e profunda, enquanto a masculina é mais estreita e menos profunda. Outra diferença é quanto ao arco do púbis, na mulher é arredondado, no homem em forma de V. Um macete para se diferenciar a pelve feminina da masculina é a visualização da carinha do rato Mickey Mouse no espaço interno dos ossos da pelve feminina


Se a ossada for de uma criança a identificação do sexo é mais difícil, pois a diferenciação da pelve ainda não ocorreu sendo muito parecidas nos dois sexos. As diferenças entre a pelve feminina e masculina é induzida pela produção de estrogênio durante a puberdade feminina.

Teste seu aprendizado!

Agora que já foi a exposta a principal diferença entre um esqueleto masculino e feminino observe a primeira foto desta postagem. Será que o ossos do esqueleto do vestido são de uma mulher? Espero sua opinião nos comentários desta postagem.  

2 de dez. de 2011

Por que os adolescentes desenvolvem espinhas?


 
Antes de explicar porque os adolescentes possuem espinhas vamos a algumas informações básicas. Espinha ou acne é uma inflamação das glândulas sebáceas. As glândulas sebáceas são estruturas da pele, responsáveis pela produção de uma secreção exócrina oleosa, o sebo, que protege a pele contra o ressecamento e evita que os pêlos e cabelos se tornem quebradiços. As glândulas sebáceas são amplamente distribuídas pelo corpo, exceto na palma das mãos e na sola dos pés. Nas regiões pilosas do corpo, ou seja, com pêlos, as glândulas sebáceas estão associadas ao folículo piloso, nas regiões sem pelo como lábios, glande do pênis, lábios vaginais e pálpebra o ducto de secreção desemboca diretamente na superfície da pele. As glândulas sebáceas variam de tamanho, as maiores estão localizadas na pele da face, pescoço e tórax superior.

Figura: Localização das glândulas sebáceas associadas ao folículo piloso. 

As glândulas sebáceas estão presentes na nossa pele desde a infância, mas a partir da puberdade, as flutuações hormonais típicas desta etapa, estimulam o crescimento em tamanho e o aumento da produção da secreção oleosa, o sebo. Os hormônios relacionados com o desenvolvimento das glândulas sebáceas são a testosterona nos homens e o estrógeno nas mulheres, além de outros hormônios esteróides produzidos no córtex das glândulas supra-renais. A glândula sebácea dos adolescentes produz um sebo com abundância de lipídios, uma meio muito favorável a ser colonizado por bactérias que podem causar uma resposta inflamatória, formando o cisto inflamatório. O cisto incha e pode romper a pele, podendo deixar cicatrizes profundas e permanentes na pele.
Figura: Evolução de um cisto inflamatório em um glândula sebácea.

Notas para os vestibulandos!

Glândulas sebáceas são glândulas exócrinas. Glândulas exócrinas são glândulas que liberam seu produto de secreção por um ducto na superfície do corpo ou na superfície de órgãos ocos.